A Prova Quádrupla foi adotada em janeiro de 1943 pelo Conselho Diretor do Rotary International com a finalidade de desenvolver e manter altos padrões de ética nas relações humanas. Por seis décadas os rotarianos vêm aplicando essas quatro perguntas, conhecidas como “A Prova Quádrupla”, em suas vidas comerciais, sociais e pessoais. A Prova Quádrupla apresenta as perguntas que devem ser respondidas por cada um. Milhares de rotarianos a têm usado e compartilhado com outros. Milhões de exemplares foram distribuídos a escolas e ao comércio. A Prova Quádrupla foi inscrita em monumentos de granito, exibida em cartazes, escrita em contratos de trabalhadores, impressa em papel de embrulho, em guarda-chuvas, além de ter sido o tema de inúmeros trabalhos literários e discursos. Contudo, muitas pessoas pensam e divulgam que a Prova Quádrupla do Rotary é um “Código de Ética”. Mas a Prova Quádrupla é muito mais do que isso. É importante conhecer o contexto em que ela foi aplicada pela primeira vez. Uma empresa nos Estados Unidos, fabricante de panelas de alumínio, denominada Club Aluminum Company estava falida e com uma dívida de mais de 400.000 dólares. Seus sócios estavam sem esperanças em sua recuperação. Então, contrataram um “INTERVENTOR”, o Sr. Herbert Taylor, para intervir e produzir o seu fechamento da melhor forma possível. Herbert Taylor, em sua primeira visita à fábrica, tomou o cuidado de percorrer todos os setores da empresa. A cada setor que passava, ele foi muito bem recebido, com saudações do tipo: “Seja bem vindo ao melhor setor da CAC”. Os adjetivos variavam muito: “mais animado”, “campeão do campeonato interno”, etc. Taylor constatou que a empresa estava muito segmentada, não havia mútua colaboração entre os setores e todos agiam apenas para proveito próprio. Já em seu gabinete, o Sr. Taylor começou a receber os responsáveis dos diversos setores. O primeiro foi o Gerente de Marketing, com um enorme cartaz nas mãos, entrou na sala dizendo:

– “Sr. Taylor tenho a salvação para a nossa empresa. Bolei uma campanha publicitária apoiada no slogan: CAC a melhor panela!”

Taylor, muito ponderado, disse: -“Como não conheço este ramo, tive o cuidado de ir a um shopping e constatei que nossos concorrentes oferecem panelas de boa qualidade e a preços menores. Isso que você afirma no cartaz, é a verdade?” O Gerente de Marketing saiu meio cabisbaixo, refletindo sobre o que ouvira dizer.

O seguinte a entrar foi o Gerente da Contabilidade, que disse: -“Olha, Sr. Taylor, hoje aniversaria nosso colega Julio e resolvemos fazer um bolinho. Passe lá depois do expediente, mas não espalhe, pois é só para o pessoal do nosso setor”.

Taylor disse: -“Se o Julio é empregado da empresa, ao comemorar somente com o pessoal do seu setor, criará melhores amizades?” O Gerente de Contabilidade saiu cabisbaixo refletindo sobre as palavras que ouvira dizer.

Assim, a cada funcionário que o procurava, Taylor fazia uma das quatro perguntas: É a Verdade?, É Justo?, Criará Boa Vontade?, Será Benéfico?

Com o tempo, todos compreenderam que cada um deles era uma pequena, porém importante, engrenagem daquela “máquina” denominada Club Aluminum Company, Se eles pretendiam tirar “bom proveito” daquela máquina deveriam, antes, contribuírem para a sua melhoria e assim, pertencendo a uma máquina sadia, produtiva e lucrativa, eles também poderiam usufruir dos bons resultados.

 

COMO SE APLICA

Durante muitas décadas, os Rotary Clubes e os rotarianos em todo o mundo tem usado a Prova Quádrupla como instrumento para desenvolver o respeito e a compreensão entre os povos. A Prova é empregada da seguinte forma, primeiro, se decora o texto e, depois, se adquire o hábito de confrontar pensamentos, palavras e atos com a as perguntas formuladas. A Prova Quádrupla está sendo agora adotada, com sucesso, nos negócios, governos e escolas, em todo mundo, como um instrumento de aferição da conduta de cada um. Se guardada na memória e aplicada no tratamento com terceiros, contribuirá definitivamente para mais efetivas e amistosas relações. A experiência de muitos tem mostrado que, ao consultar-se sistematicamente a Prova Quádrupla, para avaliar a retidão de pensamentos, palavras e atos, lograr-se-á maior felicidade e êxito.

 

O CRIADOR DA PROVA QUÁDRUPLA

Herbert J. Taylor Nasceu em Pickford, Michigam e se formou em direito pela Universidade de Northwestern em Evanston; recebeu o título de Doutor Honoris Causa, em direito, da Faculdade de Direito do Houghton College de Nova York. Foi diretor-presidente da Club Aluminurn Products Company, de Chicago; diretor da Monarch Aluminum Manufacturing Company de Cleveland, Ohio; diretor da Chicago Federal Savings and Loan Association; diretor do First National Bank, de Barrington; membro consultivo da Universidade de Illinois; diretor do Chicago Better Business Bureau; presidente do Conselho de Regulação de Preços do Ministério da Guerra em Washington; diretor da Associação Americana de Administradores e da Associação de Produtos de Alumínio. Ingressou em Rotary em 1923, no Rotary Club de Paulis Valley, Oklahoma, do qual foi presidente. Tendo transferido residência para Chicago, passou a pertencer ao Rotary Club nº 1, onde ocupou diversos cargos, inclusive a presidência, em 1944- 45. No Rotary lnternational, ocupou os cargos de governador, diretor, vice – presidente, presidente e membro de diversas comissões. Herbert Taylor morreu em 1º de maio de 1978.

 

HISTÓRIA DA PROVA QUÁDRUPLA

por Herbet J. Taylor

Em 1932, fui encarregado pelos credores da Club Aluminum Company, de evitar a falência e consequente fechamento da empresa. Atuava a mesma como distribuidora de utensílios de cozinha e de outros artigos para uso doméstico. Achamos que era devedora de uma importância superior a US$ 400.000 acima do ativo total. Estava quebrada, mas ainda viva. Nessa ocasião, um banco de Chicago emprestou-nos US$ 6.100, parcos recursos com os quais deveríamos prosseguir operando. Apesar de termos um bom produto, nossos competidores também comerciavam com material de excelente qualidade e de marcas largamente anunciadas. Nossa empresa dispunha de ótimos empregados, mas a concorrência igualmente os possuía. E, além disso, achavam-se naturalmente, em condições econômicas muito mais sólidas do que a nossa. Com tremendos obstáculos e desvantagens a enfrentar, sentimos a necessidade de criar em nossa organização algo com que os competidores não contassem em idênticas proporções. Decidimos, então, que teria de girar em torno do caráter, da noção do dever e do espírito de servir do nosso pessoal. Determinamos principiar por selecionar cuidadosamente os nossos colaboradores e, em seguida, ajudá-los a se tornarem melhores homens e mulheres, à medida que avançassem nas suas carreiras. Acreditávamos na “força da razão” e resolvemos tentar o máximo para que estivesse ela sempre do nosso lado. A indústria que nos consagrávamos, como acontecia com várias outras, tinha um código de ética, mas este era muito longo e quase impossível de ser memorizado e, portanto, impraticável. Concluímos que precisávamos de um padrão simples para avaliar a correção de nossa maneira de proceder e que todos na empresa pudessem rapidamente lembrar-se. Entendíamos que o texto proposto não deveria apontar aos nossos empregados o que lhes competia fazer, porém dirigir-lhes perguntas que lhes facilitassem verificar se os seus planos, normas e ações estavam certas ou erradas. Havíamos procurado nas publicações disponíveis uma medida de ética curta, mas não conseguimos encontrar uma satisfatória. Um dia, em julho de 1932, resolvi orar a respeito do assunto. Naquela manhã, debrucei-me sobre a minha escrivaninha e pedi a Deus que nos ajudasse a pensar, falar e fazer, o que fosse certo. Imediatamente peguei um cartão em branco e escrevi “A Prova Quádrupla” do que pensamos, dizemos ou fazemos, assim:

 

É A VERDADE?

É JUSTO PARA OS INTERESSADOS?

CRIARÁ BOA VONTADE E MELHORES AMIZADES?

SERÁ BENÉFICO PARA TODOS OS INTERESSADOS?

 

Coloquei essa pequena série de perguntas sob o vidro de minha mesa de trabalho e deliberei ensaiá-la por alguns dias, antes de abordar o assunto com qualquer funcionário da empresa. O resultado foi deveras desencorajador. Por pouco não a joguei na cesta de lixo. Logo no primeiro dia quando comparei tudo que passou pelas minhas mãos com a sua indagação inicial: “É a verdade?” Nunca me havia, até então, percebido de quanto estava frequentemente afastado da verdade e do número de inexatidões que figuravam nos documentos, cartas e propaganda da empresa. Depois de cerca de dois meses de um sincero e constante empenho de minha parte, eu estava completamente convencido de seu valor e, ao mesmo tempo, imensamente humilhado, e às vezes desanimado, com o meu próprio desempenho como presidente da empresa. Tinha, entretanto, progredido bastante naquele propósito de respeitar o teste para julgar-me autorizado a mencioná-lo à meus associados. Discuti-o com os quatro chefes de departamento. Talvez seja útil conhecer qual a crença religiosa dos componentes desse grupo: Um era católico, o segundo cristão adventista, o terceiro judeu ortodoxo e o quarto presbiteriano. Indaguei a cada um deles se notava algum detalhe na Prova Quádrupla contrário à doutrina e aos ideais de sua particular devoção. Todos concordaram que o culto da veracidade, equidade, amistosidade e prestimosidade, não só se ajustava a seus princípios, mas que se permanentemente observados nos negócios, essas virtudes lhes asseguravam maior sucesso e aperfeiçoamento. Anuíram em averiguar se os planos, normas, informes e publicidade do estabelecimento se coadunavam com os ditames da Prova Quádrupla. Mais tarde pediu-se a todo o pessoal que decorasse e adotasse em suas relações com os demais. A investigação da linguagem dos nossos anúncios, à luz da Prova Quádrupla, resultou na eliminação de asseverações cuja autenticidade não podia ser demonstrada. Superlativos como “o melhor”, “o maior”, “o único”, desapareceram de nossa propaganda. Como consequência, o público gradualmente passou a depositar crescente fé no que declarávamos nos anúncios e a comprar mais das nossas mercadorias. O uso ininterrupto da Prova Quádrupla levou-nos a alterar nossa orientação atinente às relações com os competidores. Abolimos de nossa literatura e reclames quaisquer comentários adversos ou prejudiciais aos produtos da concorrência. Quando se oferecia uma oportunidade de elogiar nossos colegas não hesitávamos s em fazê-lo. Assim, conquistamos sua consideração, respeito e amizade. A obediência aos preceitos da Prova Quádrupla no trato com nossos empregados, fornecedores e clientes, garantiu-nos a sua estima e boa vontade. Aprendemos que a afeição e confiança daqueles com quem nos associamos são essenciais ao êxito duradouro dos negócios. Graças ao leal esforço dos nossos servidores por mais de vinte anos, temos aproximado com firmeza dos alvos a que a Prova Quádrupla se propõe atingir. Fomos recompensados com um contínuo aumento das nossas vendas e lucros, do qual participou a remuneração do pessoal. Falida em 1932, conseguimos atingir a atual situação com suas dívidas integralmente saldadas, o pagamento de mais de um milhão de dólares a seus acionistas e um acervo superior a dois milhões. Todos esses resultados provinham de um investimento inicial de apenas US$ 6.100, da observância da Prova Quádrupla e do labor intenso de algumas dedicadas criaturas que acreditaram na bondade divina e atuaram sob a inspiração de elevados ideais. Os dividendos intangíveis, derivados da adoção da Prova Quádrupla, são ainda mais significativos do que os financeiros. Temos constantemente visto crescerem, a nosso favor, a boa vontade, estima e confiança dos clientes, concorrentes e o público em geral e, o que é mais valioso assinalamos um grande aprimoramento dos predicados morais do nosso corpo de funcionários e empregados.

Descobrimos que não se pode aplicar incessantemente a Prova Quádrupla a todas as modalidades de contatos, no setor dos negócios, durante as oito horas por dia sem que se contraia o costume de consultá-la no curso da própria vida doméstica, social e cívica.

E, dessa forma, seremos: melhor pai, melhor amigo e melhor cidadão.